Chatos existem em todo lugar

Artigo publicado em revista de comportamento animal (Animal Behavior) mostra que os chimpanzés passam por situações semelhantes às que passam os humanos quando está em jogo ceder ou não ceder. Os chimpanzés foram submetidos a situações de ter ou não ter comida, e ceder nesse caso significava um chimpanzé possuidor de comida deixar um outro chimpanzé não possuidor compartilhar do alimento.

Atitude passiva ou solicitação acanhada quase nunca levou um chimpanzé a conseguir alimento de outro. Atitudes passivas dificilmente levam alguém a receber aumento salarial ou a conquistar namorada (o). Ouvimos que a timidez prejudica somente o tímido, o que parece verdadeiro na maioria das vezes. Os recatados chimpanzés não ganham comida porque não desencadeiam o impulso de ceder.

Houve uma quantidade de solicitação, tanto em gestual como em frequência, que obteve sucesso: a comida foi dividida e uma relação instaurada. Quando as funções das duplas de sucesso eram trocadas, o sucesso permanecia. Como nas boas relações humanas.

Na outra extremidade ficaram os que pediram de forma agressiva, gesticularam excessivamente, afrontaram. Para estes, os chimpanzés possuidores simplesmente deram as costas (quase um “conversa com a minha nuca” ou, mais moderninho, “conversa com a minha mão”) ou se afastaram. O equivalente humano destes são os chatos. É a criança pirracenta na loja de brinquedos, o bêbado baladeiro falante e cuspidor que insiste na conquista impossível, o sabido que fala mais e mais alto que todos, o adolescente que… os exemplos são infinitos.

Nítida fica a falta de senso de proporções, da medida do que se faz sem ultrapassar a última linha de resistência alheia. Com os chatos chimpanzés é assim e é provável que o seja também com outras espécies. Os acanhados de tudo fazem para não atrapalhar, mas os chatos não: gesticulam, gritam, ocupam os espaços.

Chatos existem em todo lugar, até mesmo nas florestas. Quando você encontrar um desse tipo intragável e soltar um “vai ser chato assim no meio do mato!”, lembre-se que lá no meio do mato pode ter outros tão chatos quanto, guinchando e subindo em árvores.

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