Soneto da finitude

Tive um grande amigo de infância,

Daqueles de zanzar a toda hora.

Malgrado desafeto de agora:

Toca em meu peito a dissonância.

 

Sua influência transformadora

Planta em mim a inconstância.

Colho deste terreno a relutância

E sua verdade perturbadora.

 

Desde que foste para o outro lado,

Ó Tempo, senhor da completude –

Passos ágeis de um dissimulado -,

 

Debalde me apresso, e amiúde

Meu destino é estar desolado:

Deixaste para meu par a finitude.

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